sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Caixa de lembranças


Peguei aquela caixinha que ganhei de presente e estava encostada no canto do meu armário há meses, respirei fundo três vezes enquanto desgrudava algumas fotos do painel. Suspirei alto para enganar o choro ao ler pelas últimas vezes as suas cartas, deixando uma, duas, ou mais, manchas de água dos olhos escorrerem no papel- desejei que caíssem todas em cima de sua assinatura- para borrar um pouco do que ainda existia nítido dentro de mim.

A caixinha foi ficando cheia; cheia de lembranças, sentimentos, beijos, abraços, diálogos, carinho, um pouco de briga, bastante de um amor que já ganhava um dedo de pó e uma porção de lágrimas que inundavam tudo isso.

Eu estava determinada a guardar você e tudo o que vivemos ali, para que o meu coração ficasse menos apertado, mais leve, e quem sabe ganhasse espaço para amar de novo, um dia, alguém, outra vez, quem sabe?

Ontem ,por teimosia, desobedeci a mim mesma e resolvi abrir a tal da caixa, e foi como no mito de Pandora: a libertação de todos os males seguida da falta de esperança. É difícil saber que tudo isso está cada vez mais enterrado entre nós.

Queria poder ficar bem vazia, igual a caixinha nova que ainda não ganhei. Caixa nova, vida nova, espaço novo e nada de você.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Era apenas um grito desesperado de alguém que experimentara pela primeira vez a sensação de amar plenamente. E que temia que isso fosse levado embora com o vento que soprava pela janela enquanto descansava no abraço de quem não desejava sair de perto jamais. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Naquele momento, a felicidade de estar ao seu lado era tão grande que nossos sorrisos vibravam na mesma sintonia, difícil era fechar os lábios que se abriam involuntariamente. Te lembrei três vezes que se as coisas ficarem difíceis um dia, nós iríamos lembrar um ao outro desse estado de graça.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Vocês já pararam pra observar quantas e tantas pessoas cruzam nossos caminhos, todos os dias? Milhões de passantes trafegam pela vida, trocando conosco meros olhares, olhares intocáveis, frios, fugidios, apenas olhares... Hoje, resolvi sentar no ônibus e quebrar esse paradigma de olhar superficialmente as coisas, mergulhei em cada olhar com o coração. Entrei, sentei, olhei, mas não com olhos de quem vê, hoje vaguei com olhos de quem contempla... Indo muito além da janela do ônibus, tentei me debruçar por todas as janelas d’alma que cruzei. Olhei para o menino desajeitado que mal viu o sinal verde se abrir; para o casal de velhinhos que andavam de mãos dadas; para a menina de óculos que levava livros de baixo do braço; o homem alto de terno pendurado no celular; o indivíduo de bigode que gritava palavras ofensivas para o motoqueiro que costurava o trânsito adoidado; para a menininha abraçando a boneca no bando de trás da van; para a jovem com a cara fechada sentada na calçada; para as três amigas dando gargalhadas... E ao olhar, contemplei... Contemplar no dicionário significa: olhar atentamente, embevecidamente e demoradamente; admirar, meditar em, refletir. Pois foi o que fiz, pensei no amor do casal de velhinhos; nas preocupações do moço de bigode que o fizeram gritar, que podem ser tão forte quanto as que fizeram o motoqueiro cometer loucuras de velocidade; pensei no conhecimento escondidos atrás das lentes dos óculos da menina com os livros; no sonho que a menininha abraçava apreensiva, que pode ser tão grande quanto o sonho do menino desajeitado que, extasiado, nem percebeu o sinal se abrir; pensei nas encrencas que o homem alto de terno tentava resolver no celular e também na tristeza que ele levava no fundo dos olhos, não tão profunda quanto à tristeza da menina da calçada, que parecia sofrer de amor, mas tão distinta do sentimento das três amigas, que supostamente comemoravam uma conquista... Contemplar é muito mais do que brincar com esse mundo de aparências, é a cima de tudo desvendá-lo...

terça-feira, 15 de outubro de 2013



Força pra mim é viver a dor de se entregar a um amor mesmo sabendo que ele nunca será correspondido. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Universo onírico


Tem dia que o toque do seu despertador é a última coisa que você quer ouvir, tem dia que dá vontade de dormir para sempre. Não que eu não goste do dia, não que eu não queira acordar e dizer “bom dia” com aquele sorriso amarelo de segunda-feira. Mas às vezes dormir seria tão mais divertido. Porque coisas tão mágicas assim só acontecem no silêncio da noite, no íntimo de nós mesmos, em meio ao universo onírico? Tentei me fechar dentro do edredom, cerrei os olhos e fiquei fazendo força mental para voltar no lugar em que eu estava, mas esse universo onírico é muito vasto e lúdico, difícil voltar ao mesmo ponto de partida, é um mundo que dá muitas voltas, porém voltas infinitivamente longas e alucinantes. O sonho que eu tive? Sim, foi lindo... Pena que foi apenas um sonho. Alguém me disse uma vez que os nossos sonhos duram em média 2 segundos, até mesmo esses que parecem ter durado uma eternidade. Como é louco isso, não é mesmo? Como algo tão intenso, tão real a meu ver, pode ter ocorrido em apenas 2 segundos? 2 segundos, um flash, um relance, um instante, um pulsar. A gente conta até dois... Um... Dois! PRONTO! O sonho se esvai, leva com ele a esperança e deixa a boa e confusa lembrança de uma vida não vivida... Mais triste do que acordar hoje, foi pensar que nunca poderei dividir essa experiência maravilhosa que tive, triste saber que ninguém nunca saberá como seria lindo transformar esses 2 segundos em realidade... Queria dormir mais... Gostaria de viver nesse universo onírico: onde tudo acontece e flui maravilhosamente. Maldito despertador, maldita real dos 2 segundos...

Pés, para que te quero, se tenho asas para voar?

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Pies para qué los quiero si tengo alas pa' volar? (Frida Kahlo)

Recebi um presente, era um pacote bonito e rebuscado, com uma embalagem difícil de abrir, pois é, tive que dar pulos para impulsionar forças e só assim consegui destroçá-la. Depois de muita cerimônia, abri o tal pacote. Duas peças, branquinhas, fofinhas, tão bonitinhas, serenas. Que paradoxo! Tanta audácia, tanta cerimônia, para abrir algo tão sereno e pacífico. Um par de asas, que presente esquisito, que coisa mais sem sentido, “sem pé nem cabeça!”, exclamei. Perguntei-me então, quem será que com asas me presenteou? A resposta? Encontrei no meu íntimo.

Longe de ser pássaros com seu vôo intenso, longe de ser águias com seu vôo veloz, longe de ser anjos com seu vôo sereno, longe de ser fada com seu vôo sutil, longe de ser Hermes com seu vôo noturno, longe de ser qualquer ser de asas, voei... Quis voar para longe de mim, quis voar para longe de tudo, quis voar no infinito, lá bem perto de outro mundo. Parei, pensei e sem pensar tomei um embalo, voei novamente... Como é boa essa adrenalina de alçar vôos, como é bom esse sentimento de se sentir livre. Asas, asas, asas, às vezes a gente precisa perder o chão para aprender-te acioná-las... E foi quando eu percebi que meus pés já não pisavam em superfícies planas que planejei meu vôo plano. Ótimo plano, ótima saída, ótima despedida. Despedida? Sim, asas na imaginação, asas no coração, asas na sensação, asas até na ilusão... Acredito não ser mais o mesmo ser que antes não possuía asas, sendo assim, não ligo, não me importo porque acredito que as melhores coisas da vida acontecem longe do chão, sim, lá bem perto de outro mundo.

Acredito que a razão tem pés, e eu já não tenho mais pés, já não tenho chão, apenas asas, asas no coração, que livre, nunca tropeça com a estática e dura pedra da razão.

Sobre a sensação:

O bom de voar é poder estar em qualquer lugar, a qualquer hora, sem tempo e sem razão. Para esquecer-se de tudo, para encontrar coisas que você não encontra no chão, para ser livre, para ser o que você quiser; o poder e a leveza de voar são peculiares; dê-te de presente um par de asas, um par de asas basta... É um presente sem pé nem cabeça, mas como já dizia Frida Kahlo: “'Para que preciso de pés quando tenho asas para voar? '' ainda acrescento em versão particular, “Cabeça, para que te quero, se tenho coração para sentir?”Pronto para se aventurar com mais fluidez?

Então vista suas asas e decole ligeiramente pela vida, transcendendo assim, a sua opaca e tênue condição humana de se limitar ao chão!

Um beijo, um abraço, um sorriso, um sentimento, uma emoção, uma canção, são todos meros presentes alados que nos deparamos todos os dias, o importante é saber incorporar essas asas...

Um pouco sobre Frida Kahlo:

Para conhecer a pintura de Frida é necessário conhecer um pouco de sua vida. O meu interesse por suas obras surgiu a partir do quadro “viva la vida”. Admiro a ousadia de Frida, mesmo com tamanho sofrimento na vida, conseguir sobreviver sem perder a força e a dignidade, expressando assim, com personalidade unânime, tudo o que passava por meio de suas obras.

Deixo créditos e admiração para Frida... Uma mulher digna de contemplação.

Ser ou não ser, eis a questão!

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“To be, or not to be: that is the question”- o ilustríssimo Shakespeare não apenas escrevia a tragédia de Hamlet, o príncipe da Dinamarca, mas sim, a pergunta mais freqüente da tragédia de vida de todos os seres humanos, sendo príncipes, reis, princesas ou plebeus, tanto faz! Ser ou não ser? A pergunta que sobreviveu 5 séculos sem nenhum cheiro de mofo!

A gente passa uma fase da vida quebrando a cabeça para descobrir qual a nossa cor preferida, o tipo de comida predileto, a música que melhor soa em nossos ouvidos, pra que lado da cama mais gostamos de virar antes de dormir, se a camisa azul é mais bonita do que a vermelha, ou se a pólo vestiu melhor que a gola V, se a carne bem passada é mais gostosa do que a mal passada, se lavar o cabelo duas vezes com o shampoo é desperdício, se ficar só é melhor do que mal acompanhado, se brigadeiro é mais doce que doce de leite, se o loirinho é mais bonitinho que o moreninho, se a nossa cara fica melhor com o cabelo liso ou enrolado, se passar o dia de jejum emagrece mais do que 2 horas de bicicleta, se gostamos mais de ouvir Ramones ou nona sinfonia de Beethoven, se queremos ser médicos ou publicitários, estilista ou dentistas, quem sabe advogado? BINGO! Acredito que não sou a única que sobreviveu até aqui com esses dilemas, mas já não sei se sou a única que não fez desses dilemas, apenas meros dilemas. Pois é, sem saber, mas com algumas dúvidas, uns resolvem mudar a cor das madeixas, outros passam a pintar a unha de uma cor diferente, os mais convencionais mudam apenas de restaurantes, os roqueiros acordam hippies de raiz, as patricinhas resolvem pintar o mundo de amarelo e encostar um pouco o velho rosa, uns tiram a barba e deixam o bigode, depois deixam o bigode e a barba, não se contentando, raspam a careca, assim como as blonder’s girl’s, que guinadas pela coragem cortam 2 cm dos fios, e se arrependem! Os mais radicais, acreditem: passam a usar creme dental colgate, ao invés de sorriso. É claro que na vida de verdade o que importa não é o creme dental que você usa nos dentes, e sim, a maneira que você os mostra sorrindo; é claro que o importante não é se você vai comer frango grelhado ou a parmegiana, é fato que o empanado é mais gostoso, mas a real é se você tem o que comer; o legal não é se você tirou um 10 ou um 0 e meio, o legal mesmo é se você aprendeu; o que vale não é se a sua cabeça está coberta de unidades capilares ruivas ou crespas, o que vale é se ela sabe e pode pensar. Então amiguinhos, vamos deixar um pouco de lado essas dúvidas, porque realmente é difícil escolher entre o toddy e o nescau, e vamos ser felizes! As dúvidas são cruéis, mas de cruéis, já bastam as duvidas e a vilã dos 101 dálmatas. ACEITE! Não é a sua franja de lado e sua roupa colorida que te colocou na boca do palco do restart, ou o seu vestido da dolce e gabbanna que colocou você nos braços do seu Edward Cullen. Pare de tentar agradar a todo mundo e agrade a você mesmo, você não acha que você merece todo esse carinho?

O egoísmo é um pecado, eu sei, mas às vezes o ego sem o ismo, é um cego no abismo!

FICA A DICA: Como é que você quer mudar para uma cama maior se você ainda nem mudou o jeito que você levanta da pequena todos os dias?

“Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.” -William Shakespeare, Dramaturgo e poeta inglês.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

QUASE NADA

Pouco
Pouquinho
Poucão
Pouquíssimo
Oposto de muito
O contrário de quase tudo
Quase nada...
Um pouco de tudo...
Um nada que por ser quase, não é nada.
Um quase nada que por ser quase, é nada.
De tudo faz um pouco
De tudo tenta um pouco
De tanto fazer pouco
Percebe que...
Nada fez de nada...
No fim de tudo...
SENTE MUITO!
Sente por ter feito pouco, quando podia TUDO!

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terça-feira, 16 de julho de 2013

Sou um espelho quebrado!

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Espelhei-me no conto “O espelho”, de Machado de Assis.
Onde a personagem principal, Jacobina, convivia com o medo de olhar-se no espelho. Confessava “um impulso inconsciente, um receio de achar-me um e dois”.
Em um dos trechos do livro ele desenrola um relato à 4 cavalheiros:

“-Mas, se querem ouvir-me calado, posso contar-lhes um caso de minha vida em que ressalta a mais clara demonstração acerca da matéria de que se trata. Em primeiro lugar, não há só uma alma, há duas...

-DUAS?

-Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro pra fora, outra que olha de fora pra dentro.
O oficio da segunda alma é transmitir a vida, como a primeira, as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira.”


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Nessa busca do que se é me encontrei num labirinto, labirinto esse feito de espelhos. Vi tantos rostos multifacetados que me desencontrei nesse encontro.

A verdade é que não se é o que se parece ser. E o que se é? Seria essa imagem opaca refletida no espelho? Ou seria um pouco dos fragmentos dilacerado no âmago do peito? Seria os dois alinhavados num mesmo tecido e pronto. Mas como tecer uma peça só com linhas tão diferentes?

Para mim a busca do ser é um desvelar no desvelo, delimitar as fronteiras do que se é e do que se parece ser é como procurar agulha no palheiro. Já que não se pode andar de mãos dadas com as duas almas da existência,o ser se faz por aquilo que lhe vem do outro, e nunca sozinho.

Sou um caleidoscópio de imagens, sou um pouco de cada experiência tênue que a vida fez de mim, sou um pouco de cada mergulho que dei no espelho.

Agora cada um tem em mãos um espelho, cada um tem de mim uma face de espelho, cada um vê em mim o reflexo tenso, denso e breve refletido pelo encontro de nossas almas, porém cada um tem de mim apenas um desses reflexo, e eu tenho todos, que por hora juntos tenho uma junção de fragmentos, tenho um espelho quebrado, sou um espelho quebrado.